São Paulo / SP - quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Amamentação

  

aleitamento

 

Amamentação

  

Se tem um assunto sobre o qual os médicos concordam é Amamentação. A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde consideram que a pra´tica da amamentação exclusiva nos primeiros 6 meses e a manuntenção do aleitamento complementar até os 2 anos constituem práticas indispensáveis para a saúde e o desenvolvimento da criança.


Vantagens do Aleitamento Materno


1. A criança apresenta crescimento e desenvolvimento ideais com menor risco de desnutrição, obesidade e deficiências vitamínicas e de micronutrientes.  

 


2. A criança fica protegida contra várias doenças já que recebe fatores de proteção pelo leite materno além de apresentar menos infecções externas mais fáceis de adquirir com leites manipulados.

  

3. O risco de alergias é menor em crianças amamentadas ao seio.


4. O ato de sugar o seio materno desenvolve melhor a arcada dentária e a musculatura perioral.


5.O aleitamento materno diminui o risco de Morte Súbita do Lactente.  

 


6. A criança amamentada tem menos chance de desenvolver doenças crônicas no futuro.

  

7. O vínculo emtre a mãe e o bebê é maior.  

 


8. A mãe apresenta uma recuperação melhor no pós parto.

 

 O Preparo e Os Primeiros Dias

 

 

Um bom início do aleitamento materno é o ponto mais importante para que a mãe consiga amamentar seu filho exclusivamente ao seio, por bastante tempo e de forma tranqüila.

O preparo do seio para a amamentação deve ser iniciado na gestação. Alguns cuidados básicos que você pode ter que vão ajudar na amamentação são descritos a seguir. Mas lembre-se que esta orientação, de forma particularizada, deve ser dada pelo obstetra.

- O banho de sol é ótimo método para preparar os seios. Tome de 10 a 15 minutos de sol no seio todos os dias, antes das 10 da manhã ou depois das 3 da tarde. Se não tiver como tomar sol, você poderá utilizar uma lâmpada comum com a mesma finalidade. O calor do sol e da lâmpada deixam a pele mais resistente, preparando a aréola para a amamentação.

- Com uma toalha de rosto ou uma bucha vegetal macia, procure friccionar o mamilo diariamente, em movimentos em cruz, durante alguns minutos, na hora do banho. Faça isso a partir do sétimo mês e de forma bastante suave.

- Não use cremes e óleos na região dos mamilos, pois estes hidratam e amaciam a pele. Você precisa fazer justamente o contrário: quanto mais delicados e sensíveis forem os mamilos mais chances de fissuras acontecerem. Mas não deixe de utilizar os cremes hidratantes na barriga e demais áreas dos seios.

- Exercícios para a mama e a aréola são muito importantes. Converse com o obstetra sobre qual é a melhor orientação, que varia dependendo da condição do seio materno.

 

OS PRIMEIROS DIAS

Logo após o parto, inúmeras reações físicas e hormonais iniciam a produção do leite materno.

Nos primeiros três a cinco dias, em geral, a nutriz só produz o colostro. O colostro é amarelo, transparente, levemente salgado e com aparência aguada. No entanto tem maior valor nutritivo que o próprio leite e transmite ao bebê anticorpos da mãe, protegendo-o contra algumas doenças. Depois de alguns dias o colostro vai clareando e tornando-se mais opaco, até chegar ao leite materno, que é definitivo.

Nestes primeiros dias, naturalmente o bebê está perdendo até 10% do seu peso de nascimento – e muitas vezes não tem “fome”, sugando o seio por reflexo, dormindo bastante, bem tranqüilo.

5º ao 7ºdia – A partir deste dia normalmente os bebês já tem fome, e a apojadura do leite está iniciando. As mamadas já podem começar a se tornar regulares, a cada 3 ou 4 horas, o que é o ideal – para que a mãe descanse, se alimente e produza leite.

ATENÇÃO – Muitas vezes os recém-nascidos já estão com fome no 3º ou 4º dia de vida e a mãe ainda não está com uma produção total de leite.

Este é o ponto mais importante da amamentação. O pediatra deve orientá-la de forma que a amamentação prossiga, que o mamilo não sofra, que você e o bebê fiquem tranqüilos.

8º ao 10º dia – Neste período ocorre o pico da produção de leite, quando as coisas vão entrando em um ritmo de normalidade, com as mamadas mais estáveis, que devem durar de 10 a 15 minutos em cada seio, com intervalos de 3 a 4 horas entre as mamadas. Este intervalo é muito importante por alguns motivos:

• Para que haja uma boa produção de leite para a próxima mamada,

• Para que os mamilos se regenerem e cicatrizem das micro-fissuras decorrentes das mamadas,

• Para que você descanse, se alimente. Lembre-se de ingerir bastante líquido – água, chás, sucos naturais – e de se alimentar a cada 3 horas.

A partir daí, quando o aleitamento materno já está bem estabelecido, não há mais com o que se preocupar. A produção de leite vai aumentando gradativamente conforme aumentam as necessidades do bebê, os intervalos são bastante regulares e o tempo de amamentação em cada seio pode ser cada vez menor, reduzindo de 10 a 20 minutos para 5 ou 10 minutos.

Havendo qualquer problema no decorrer da amamentação (ingurgitamento mamário, mastite, fissuras), os sintomas são bastante claros: dor nos seios, febre, calor local. Estes problemas são facilmente tratados e normalmente não trazem qualquer problema para a amamentação.

 

 

Verdades e Mitos sobre Amamentação

 

a.    “Eu não tenho leite”


Sempre que possível o bebê é colocado no tórax da mãe imediatamente após o nascimento e muitos já conseguem sugar neste momento. A sucção do bebê é o melhor estímulo para a apoujadura (descida do leite) e para a manutenção da produção do leite materno. Muitas mães, nas primeiras horas e até dias após o nascimento acham que não têm leite suficiente e, com medo de deixar o bebê passar fome, acabam entrando com fórmulas complementares. Esta é uma das principais situações que comprometem o sucesso do aleitamento materno já que a oferta de complemento sacia o bebê e ele suga menos o seio materno o que compromete a produção do leite em quantidade.


Os bicos de mamadeiras também podem atrapalhar a amamentação. Sugar o bico é mais “fácil” do que sugar o seio materno e bebê pode se desinteressar pelo seio.


 Sendo assim, antes de oferecer ao bebê qualquer coisa que não seja o leite materno converse com seu pediatra.  

 


b.    “Meu leite é fraco”


O leite fraco não existe! O leite de cada mãe é produzido da forma ideal para atender às necessidades de seu bebê. O leite materno e especialmente o colostro (leite produzido nas primeiras horas após o nascimento do bebê) têm um aspecto ralo quando comparado com o leite de vaca, mas isto não tem relação com a quantidade e qualidade do leite e sim com a quantidade de gordura do leite. O leite materno do final da mamada é mais consistente pois tem uma quantidade maior de gordura.


A melhor maneira de avaliar se a amamentação vai bem é através do acompanhamento adequado do bebê.


 

c.    “Meus seios ficarão flácidos”


O comprometimento estético da mama parece decorrer das alterações gravídicas e não do fato de a mulher amamentar ou não. Como prevenção durante a gestação recomenda-se usar sutiãs de alças largas, creme hidratante e controlar o ganho de peso durante a gestação.


 

d.    “Cerveja preta aumenta o leite”  


Alguns alimentos são popularmente conhecidos como responsáveis pelo aumento da produção láctea como canjica, cerveja preta, leite de vaca, etc. Não há evidências científicas de que algum tipo de alimento aumente a produção do leite mas sabemos que a nutriz necessita de maior quantidade de líquidos e calorias todos os dias. A dica é não modificar drasticamente os hábitos alimentares da nutriz, mas garantir uma alimentação equilibrada e suficiente.


e.    “O bebe tem que mamar 20 minutos”

 


O ideal é que o bebê mame tempo suficiente para esvaziar a mama pois o leite do final da mamada é mais rico em gordura e manterá o bebê saciado além de provocar menos cólica e garantir um ganho de peso adequado. Lembre-se sempre de iniciar a próxima mamada pela outra mama.


 

f.     “A posição do bebê pode atrapalhar a mamada”


Recomenda-se que mãe e bebe fiquem em posições confortáveis e vestidos de forma que não haja restrições de movimentos.  O corpo do bebê deve ficar em contato com o tórax da mãe, seus braços não devem se interpor entre seu corpo e o corpo da mãe e ele deve ficar firmemente apoiado no colo ou nos braços da mãe.  O bebe deve abocanhar a aréola, com o queixo tocando a mama e os lábios curvados para fora. Para interromper a mamada a mãe deve colocar o dedo entre e boca do bebe e o mamilo para tirar a pressão e assim não machucar o mamilo. Recomenda-se colocar sempre um pouco de leite materno nos mamilos ao final das mamadas e não usar derivados de álcool, sabões ou produtos secativos.

A posição correta do bebê garante uma boa “pega” e diminui a chance de fissuras, engasgos e cólicas.  

 


g.    “O Papai pode ajudar?”


Amamentar não é tarefa fácil, principalmente quando a mulher tem que conciliar filhos, casa e marido. E é nessa hora que o papai surge para incentivar, ajudar e participar de todos os momentos, difíceis ou não.

O pós-parto pode trazer uma tristeza e cansaço à mulher, deixando-a insegura em relação à sua própria amamentação. O apoio e incentivo do papai são essenciais para que a mamãe se reestruture, se reorganize e sinta-se capaz de amamentar.

A mamãe pode pedir que o papai participe da amamentação sempre que possível. A presença e carinho dele durante a amamentação fortalecem o vínculo afetivo entre ele, a mamãe e o bebê.

Compreensão, amor, às vezes, “contar até dez” (ou até um pouco mais) devem fazer parte do cotidiano do papai para evitar conflitos.


 

h.    “O bebe tem que mamar a cada 2 horas?”


Este é um assunto controverso.

A mulher, diferentemente de outros mamíferos, produz o leite para cada mamada. Pode haver sobra de leite após a mamada, mas isto não é o mais comum.
O maior estímulo para a produção do leite é a sucção da mama pelo lactente. Quando o lactente suga, um nervo leva este estímulo da mama para o cérebro da mãe, que produz um hormônio chamado prolactina. A prolactina estimula a produção do leite. Quando a criança suga, novamente estimula a prolactina, e assim por diante.
Mas, para que se tenha um bom estímulo para a produção de prolactina deve haver um intervalo mínimo de cerca de 2 horas entre uma mamada e outra. Desta forma há uma liberação maciça da prolactina pela mãe. Com intervalos regulares, portanto, a produção de leite materno é otimizada.

Outro ponto: a mãe demora cerca de 2 a 3 horas para produzir o leite suficiente para uma mamada. Se a criança mamar a cada 30 minutos ou sempre que chorar, ela vai estar diante de uma mama com pouco leite. Vai mamar pouco e logo ter fome novamente. E este círculo vicioso é prejudicial. A mãe e o bebê não descansam e a 'prolactina' não é estimulada.
Em pouco tempo a amamentação passa a ser mais complicada, menos prazerosa, e o risco de desmame é maior.

Portanto, o ideal é uma criança que aguarda cerca de 3 horas e vai ao peito com fome, e uma mãe que neste intervalo produziu bastante leite que satisfaça o seu filho por mais 3 horas - ou até mais. Este ritmo pode ser atingido lentamente, podendo demorar cerca de 1 a 2 meses.
Existe um outro ponto importante, que é o lado psicológico.
Nem sempre que um recém nascido chora ele tem fome. Pode ser cólicas, gases, calor, susto, 'manha'...
Se a criança é acostumada a mamar (= comer) sempre que sente alguma sensação desagradável, vai acreditar que é através da boca e da alimentação que se resolve qualquer problema. No futuro (não muito distante) vai acalmar-se através da comida, na geladeira, com um pacote de bolacha, com um chocolate.

 

 

 
 

 

 

Leite Materno – Ordenha e Conservação


Muitas vezes, por motivo de trabalho ou ausência, é necessário que a nutriz faça a ordenha do leite materno para a amamentação de seu filho. Este processo não é prejudicial e auxilia de forma importante na manutenção da lactação por períodos prolongados.
A ordenha manual ou o uso de bombas manuais/elétricas estimulam a produção do leite materno.
As principais recomendações são em relação ao armazenamento do leite ordenhado e seu correto uso:


 

ORDENHA E ARMAZENAMENTO


1. O modo mais fácil de proceder a ordenha são as bombas elétricas . As bombas manuais e a ordenha manual também são modos satisfatórios.
2. O ideal é que o leite seja retirado no horário que o bebê estaria mamando. Como muitas vezes a mãe tem de ordenhar seu leite nos horários que está com seu filho, deve procurar fazê-lo logo após a mamada, se houver leite, ou 1 ou 2 horas após.
3. O leite deve ser armazenado em frascos apropriados ou mamadeiras de plástico rígido ou vidro. Estes recipientes devem estar esterilizados através de equipamentos adequados (esterilizadores) ou através de fervura.
4. Não se deve acrescentar leite ordenhado nas mamadeiras que estão armazenadas, já congeladas.
5. A quantidade de leite por frasco deve ser aproximadamente para UMA mamada, uma vez que o leite não deve ser reutilizado após a mamada na mamadeira nem recongelado.
6. Não se esqueça de datar o leite (dia e hora).
7. Logo após a ordenha o leite deve ser resfriado (torneira com água fria ou recipiente com água e gelo) e armazenado. Na tabela abaixo observamos o prazo permitido para armazenamento:

Local de Armazenamento
Temperatura
Tempo Máximo
Ambiente
Até 25°C
4 horas
Geladeira
(não armazenar na porta)
2 a 8 °C
24 horas
Freezer
- 15 a – 18 °C
15 dias
Freezer
(leite pasteurizado**)
- 15 a – 18 °C
6 meses

 

 

 

 



** O leite pode ser pasteurizado, mas este é um procedimento realizado exclusivamente por bancos de leite de maternidades.

  

 


AQUECIMENTO E USO


1. Para o descongelamento o leite deve ser mantido na geladeira. Em caso de necessidade de uso imediato, o leite pode ser descongelado em banho-maria. Uma vez descongelado, o leite pode ser mantido por 24 horas na geladeira ou por 8 horas em ar ambiente.
2. Após ser descongelado, o leite deve ser aquecido em banho-maria. A temperatura ideal do leite oferecido ao bebê é de cerca de 30 a 35°C.
3. O leite deve ser oferecido com copinho direto na boca do bebê ou na mamadeira, com bico ortodôntico apropriado para a faixa etária, de silicone ou látex.
4. A sobra de leite após a mamada NÃO deve ser reutilizada devido a possível contaminação bacteriana.
5. O leite materno NUNCA deve ser fervido.